sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Canção em campo vasto


foto: internet

Deixa-me amar-te com ternura, tanto
que nossas solidões se unam,
e cada um falando em sua margem
possa escutar o próprio canto.

Deixa-me amar-te com loucura, ambos
cavalgando mares impossíveis
em frágeis barcos e insuficientes velas,
pois disso se fará a nossa voz.

Ajuda-me a amar-te sem receio:
a solidão é um campo muito vasto
que não se deve atravessar a sós.

Lya Luft


 foto: Aves exóticas de colores - Pinguinos-6 - Banco de Imagenes gratuitas



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Partilhar vida...

foto: Céu de árvore - teca


La edad y la paciencia
obraron el milagro
del árbol. Por su tronco
ascendieron las savias
y los días. Retoñaron
las hojas encendidas
por el sol. Horadaron
sus ramas nubes, vientos
buscando el infinito
fulgor de las estrellas
o pájaros errantes.

Inmóvil vagabundo
¡qué libertad la suya!

Sabe esperar, enhiesto
en el áspero invierno
el acto inevitable
de cada primavera.
Los años lo enriquecen
en raíces y brotes.
Su vejez placentera
multiplica texturas
siempre hacia arriba. Sube
sonoramente. Un día
después de muchos años
todavía será fuego o,
más humildemente,
un lecho o una mesa
donde puedan reunirse
a compartir sus vidas
una mujer y un hombre.

(Árbol de Benito Milla, extraido de su libro Ítaca, publicado por Editorial Laia en 1989)

Presente de Bastidas.





sábado, 13 de agosto de 2011

Dia de festa


Sabiá-do-campo (Mimus saturninus) -  Flávio Cruvinel Brandão


A floresta
acordada
pela madrugada
de um dia
de festa
abria
a saia rodada
e a madrugada
sorria
sorria à floresta
na madrugada da festa.

A alegria

estava lá
a poesia
estava lá,
mas onde estava a alegria
mas onde estava a poesia
só sabia
o sabiá.

Só o sabiá
sabia
sabia
o que havia

- era um sábio o sabiá.
Dono
do dia
da festa
e dono
da madrugada
só por ele a floresta
despertada
do seu sono
abria
a saia rodada.

E tudo o que lá
havia,
e tudo que havia
lá,
que se chamasse alegria
que se chamasse poesia
só sabia
o sabiá.
Ouçam como ele assobia,
assobia
o sabiá.  


Sabiá laranjeira (Turdus rufiventris) - Alexandre Ghisleri







sábado, 6 de agosto de 2011

Poesia marítima


O mar veio chegando, chegando
E esticou-se sobre a areia como um corpo que procura outro.
O cheiro das algas misturou-se com o calor das camadas
Aquecidas pelo sol da primeira madrugada
E invadiu todas as folhas das árvores
E a raiz das palmeiras agarradas nos penhascos.



Me senti a mulher transparente

Com olhos cor do ar,
Atirada na praia, coberta de conchas e espumas do mar,
Cirandei com as estrelas e ouvi os caramujos,
Chamei com os braços
Gaivotas que em meu corpo quisessem pousar.



Conheci a intimidade das conchas abertas,

Cantei preces que aprendi com os afogados
E gemi com o vento no mastro das galerias.



A mulher branca e transparente

Com os olhos cor do ar,
Que dorme na areia,
Sou eu, a filha do sol a das águas do mar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Alento...

foto: Petúnias - teca


Tu aliento es el aliento de las flores,
tu voz es de los cisnes la armonía;
es tu mirada el esplendor del día,
y el color de la rosa es tu color.
Tú prestas nueva vida y esperanza
a un corazón para el amor ya muerto:
tú creces de mi vida en el desierto
como crece en un páramo la flor.



Agradeço ao novo amigo da blogosfera, jarnaco, pela dedicação desses versos tão sensíveis nos comentários da postagem anterior. 
Aproveito para apresentar o seu lindo blog que faz admirável referência à natureza: Cuando el tiempo se detiene