domingo, 29 de maio de 2011

Uma névoa de outono


 foto: internet

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta.

Fernando Pessoa 

 
 fotos: internet



Brahms - Symphony Nº 3 - Poco Allegretto

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sedimentos VIII




Dai-me a alegria
Do poema de cada dia.
E que ao longo do caminho
Às almas eu distribua
Minha porção de poesia. 
[...] 



Autumn Leaves - Eric Clapton


sábado, 21 de maio de 2011

Aqui con el amor: yo te regalo...

foto: internet


Déjame darte un pequeño
espacio dentro de mi mundo,
un lugar detenido en el aire
donde reina solo la calma.

Un lugar en que nadie tocará
tu más dulce y básica esencia,
un lugar que alcanza
el tamaño de un suspiro
y el infinito del silencio.

Déjame regalarte un instante
de mi propia vida,
un segundo de mi todo
encerrado en un eterno beso.

No tienes que decir que si
ni tampoco pensarlo demasiado.

Solo abre tus labios y toma
una fuerte bocanada de aire,
abre tus manos y toma mi vida
y no dejes que nunca se aparte de tu lado.




Concerto De Aranjuez Adagio - Joaquin Rodrigo




quarta-feira, 18 de maio de 2011

Quero...


imagem: internet


Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim 
A segunda é ver o outono 
A terceira é o grave inverno 
Em quarto lugar o verão 
A quinta coisa são teus olhos 
Não quero dormir sem teus olhos. 
Não quero ser... sem que me olhes. 
Abro mão da primavera 
para que continues me olhando.




Robert Schumann - Träumerei



domingo, 15 de maio de 2011

Entre o luar e a folhagem

foto: internet 
Entre o luar e a folhagem, 
Entre o sossego e o arvoredo, 
Entre o ser noite e haver aragem 
Passa um segredo. 
Segue-o minha alma na passagem. 

Tênue lembrança ou saudade, 
Princípio ou fim do que não foi, 
Não tem lugar, não tem verdade. 
Atrai e dói. 

Segue-o meu ser em liberdade. 

Vazio encanto ébrio de si, 
Tristeza ou alegria o traz? 
O que sou dele a quem sorri? 
Nada é nem faz. 
Só de segui-lo me perdi. 



sábado, 14 de maio de 2011

Acalma-te, coração!


foto: internet

Acalma-te, coração, e não te deixes
perturbar.

Silencia minha boca,

e não emitas som algum.
Espera, sentimento meu,
e não te deixes molestar pelo medo
ou pela ansiedade.
A madrugada espia as estrelas quando
a noite atinge o apogeu, e o grão, que
se arrebenta no solo, transforma-se em vida.
Ama o tempo.
As crianças crescem.
Os rios se movimentam.
As nuvens correm pelo ar.
Assim também, as dádivas do meu Rei
chegarão aos teus desejos tranquilos,
no momento próprio. 

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Ao longe, ao luar...

imagem: internet


Ao longe, ao luar,
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?

Não sei, mas meu ser

Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça?

Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.

domingo, 8 de maio de 2011

Pontes

 foto: Lagunas Villafafila y Zamora - Juan Carlos *

Ninguém pode construir em teu lugar 
as pontes que precisarás passar, 
para atravessar o rio da vida.
- ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, 
e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; 
mas isso te custaria a tua própria pessoa; 
tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva?
Não perguntes, segue-o!

Friedrich Nietzsche


* Todos os direitos reservados para essa postagem por Juan-Carlos Martín Pizarro do blog Fotos de cualquer parte  e ninguém mais pode utilizar.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Versos na tarde...

foto: internet

A lembrança é um barbante.
Uma ponta amarrada no começo da história,
outra, em nosso tornozelo.

Se o fio estica muito, mal dá para continuar.
É a linha da Memória que vai ficando puída,
a da lembrança, não.

Feita de fibra grossa,
não afrouxa até que um anjo venha desatá-la
e a transforme numa corredeira de estrelas. E quanto mais a corredeira for cumprida,
tanto mais rica há de ter sido a vida.

Flora Figueiredo



Franz Schubert - Serenade
 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Já não quero nem saber...


foto: internet


Que minha solidão me sirva de companhia. 
Que eu tenha a coragem de me enfrentar. 
Que eu saiba ficar com o nada 
e mesmo assim me sentir 
como se estivesse plena de tudo. 



 
Quelques Notes Pour Anna - Nicolas de Angelis.