Tendo lido os jornais — infectado a mente, e nauseado os olhos — descubro, lá fora, o azul do mar e o verde repousante que começa nas samambaias da sala e recrudesce nas montanhas.
Para que perco tantas horas do dia nessas leituras necessárias e escarninhas? Mais valeria, talvez, nas verdes folhas, ler o que a vida anuncia.
Mas vivo numa época informada e pervertida. Leio a vida que me imprimem e só depois o verde texto que me exprime.
Ni un momento
he dejado de ver en este cuerpo
la forma de tu ausencia,
como una esfera que ya no te contiene.
Pero dos cosas constantes te revelan,
te tienen de cuerpo entero en el instante,
y son la cama y la mesa de madera,
hechas a la medida del amor
y del hambre
foto: Uma janela com vista para o mar gelado - Isabel Bernardo
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
Entre a folhagem do meu jardim, Pequeno e gorduchinho Brincando entre as folhas de cetim. Voa, voa passarinho, Numa alegria sem fim Por entre as folhas de arminho brancas como jasmim. Voa, voa passarinho, Por sobre o tenro alecrim Busca a ternura do céu clarinho Para embelezar meu jardim.
Viver é mais que saber que nada é definitivo quando o corpo está vivo, quando bate o coração. O resto é futuro incerto. Felicidade de giz desenhada no deserto.
Viver é mais que querer estar aqui ou ali. É simplesmente viver. Sem procurar entender por que o março outonal é a primavera a florir.
A veces llega la tristeza. Trae las alas suaves de conformidades, los ojos bajos y la piel desnuda, y parece tan fácil entregarse, despojarse, poner bajo sus plantas el reino, los poderes y las armas, el amor sobre todo, y esos últimos retales que nos quedan de alegría. A veces gana la tristeza; entonces, qué lujo de matices su victoria, qué fasto de sus grises y sus pardos ocupándolo todo. Buenos días, -he de decir-, tristeza, aquí me tienes.
Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente. Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia. Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário nos mostrar que ficaram por anos em nossas agendas. Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.
Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na Terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas. E há casamentos que, ao olharmos para trás, mal preenchem os feriados da folhinha. Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembrança de horas. Há eventos que marcaram, e que duram para sempre - o nascimento do filho, a morte da avó, a viagem inesquecível, o êxtase do sonho realizado. Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra "eternidade".
Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo. Mas conforme meu espírito houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz estava eu na ocasião. O relógio do coração - hoje descubro - bate noutra frequência daquele que carrego no pulso. Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo. É olhar as rugas e não perceber a maturidade. É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida.
Pense nisso. E consulte sempre o relógio do coração: ele lhe mostrará o verdadeiro tempo do mundo. Alexandre Pelegi
Conta-se que num dia qualquer Almir Sater estava em São Paulo para uma temporada e desceu do seu apartamento para tomar um cafezinho num mercado ali perto.
Chegando ao destino, encontrou Renato Teixeira que o convidou para experimentar uma viola nova que acabara de comprar. Enquanto tomavam café, Almir dedilhou a viola e soltou... "Ando devagar"...ao que Renato emendou ..."porque já tive pressa". Dizem que essa maravilha ficou pronta em 10 minutos. Um dia alguém perguntou ao Almir como essa música fora feita e ele respondeu... “Ela já estava pronta... Deus apenas esperou que eu e o Renato nos encontrássemos para mostrá-la pra gente". Não sei se isso é lenda ou é verdade... tanto faz. Música e letra são realmente espetaculares...uma jóia rara, feita num raro momento de inspiração. E melhor ainda na voz da Bethânia, a "abelha rainha".
Disco voador (fragmentos)
Texto de Fausto Fawcet
"Eu estou sempre aqui, olhando pela janela. Não vejo arranhões no céu, nem discos voadores.
Os céus estão explorados, mas vazios. Existe um biombo de ossos perto daqui. Eu acho que estou meio sangrando. Eu já sei, não precisa me dizer. Eu sou um fragmento gótico. Eu sou um castelo projetado. Eu sou um slide no meio do deserto. Eu sempre quis ser isso mesmo. Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica. Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, gravações de rádio, fragmentos de TV.
Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária. Quando eu beijo, eu improviso mundos molhados. Aciono gametas guardados. Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica. Uma notícia de Saturno esquecida, uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, que improvisou com restos de cinema e com seu amor, um disco voador".
chegou o vendedor e me disse que não havia livro de poema daquele poeta que lhe perguntei lamentamos, senhor, mas não há mas posso trazer outros livros
me disse ainda que os poemas estariam em minhas mãos de imediato viriam das pilhas da distribuidora mas de imediato vi apenas livros na estante acumulados, escondidos
nas camadas guardadas de poeira no objetivo das contas de inventário em que se somam horas, dias e anos dentro de espaços em aparelhagem entre folhas de livro atacado ou varejo
e assim continuou falando da breve atualização dos acervos no estoque armazenados em curto prazo de tempo. a ele nem respondi, não esperei saber contudo digo que de lá saí com um poema
antes só havia perguntado: poema? eu vi, tu viste, ele viu e me deram estoques, reservas enredadas. mas nenhum poema nunca faltará porque existe com ou sem falhas de loja
antes só havia perguntado: poema? e me trouxeram quantidades necessidades, fornecimentos. mas a porta da livraria se abriu esqueci o vendedor e o livro
e lembrei que a poesia não falta por isso, de lá saí com este poema
Eu quero a sina de um artista de cinema Eu quero a cena onde eu possa brilhar Um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo Um beijo imenso, onde eu possa me afogar Eu quero ser o matador das cinco estrelas Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão A Patativa do Norte, eu quero a sorte Eu quero a sorte de um chofer de caminhão Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora Sem sair do meu lugar Pra me danar, por essa estrada, mundo afora, ir embora Sem sair do meu lugar Ser o primeiro, ser o rei, eu quero um sonho Moça donzela, mulher, dama, ilusão Na minha vida tudo vira brincadeira A matinê verdadeira, domingo e televisão Eu quero um beijo de cinema americano Fechar os olhos fugir do perigo Matar bandido, prender ladrão A minha vida vai virar novela Eu quero amor, eu quero amar Eu quero o amor de Lisbela Eu quero o mar e o sertão Eu quero amor, eu quero amar Eu quero o amor de Lisbela Eu quero o mar e o sertão
"A diferença entre os países pobres e os ricos não é a idade do país. Isto pode ser demonstrado por países como Índia e Egito, que têm mais de 2000 anos e são pobres.
Por outro lado, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que há 150 anos eram inexpressivos, hoje são países desenvolvidos e ricos. A diferença entre países pobres e ricos também não reside nos recursos naturais disponíveis. O Japão possui um território limitado, 80% montanhoso, inadequado para a agricultura e a criação de gado, mas é a segunda economia mundial. O país é como uma imensa fábrica flutuante, importando matéria-prima do mundo todo e exportando produtos manufaturados. Outro exemplo é a Suíça, que não planta cacau mas tem o melhor chocolate do mundo. Em seu pequeno território cria animais e cultiva o solo durante apenas quatro meses no ano. Não obstante, fabrica laticínios da melhor qualidade. É um país pequeno que passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho, o que o transformou na caixa forte do mundo. Executivos de países ricos que se relacionam com seus pares de países pobres mostram que não há diferença intelectual significativa. A raça ou a cor da pele também não são importantes: imigrantes rotulados de preguiçosos em seus países de origem são a força produtiva de países europeus ricos.
Qual é então a diferença?
A diferença é a atitude das pessoas, moldada ao longo dos anos pela educação e pela cultura. Ao analisarmos a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria segue os seguintes princípios de vida: 1. A ética, como princípio básico. 2. A integridade. 3. A responsabilidade. 4. O respeito às leis e regulamentos. 5. O respeito pelo direito dos demais cidadãos. 6. O amor ao trabalho. 7. O esforço pela poupança e pelo investimento. 8. O desejo de superação. 9. A pontualidade.
Nos países pobres apenas uma minoria segue esses princípios básicos em sua vida diária. Não somos pobres porque nos faltam recursos naturais ou porque a natureza foi cruel conosco. Somos pobres porque nos falta atitude. Nos falta vontade para cumprir e ensinar esses princípios de funcionamento das sociedades ricas e desenvolvidas. SOMOS ASSIM, POR QUERER LEVAR VANTAGENS SOBRE TUDO E TODOS. SOMOS ASSIM POR VER ALGO DE ERRADO E DIZER: “DEIXA-PRA-LÁ”! DEVEMOS TER ATITUDES E MEMÓRIA VIVA. SÓ ASSIM MUDAREMOS O BRASIL DE HOJE."
(Desconheço a autoria do texto - recebi por e-mail)
Suas palavras são balões soltos no parque, pipas alaranjadas que recortam o azul com cauda de samambaia e serpentina. São notas musicais que bailam nas nuvens, Desenhos animados de alucinada correria. São mapas de piratas, tesouros de turmalina, Poções de feiticeiras doidas e enternecidas, Encantos que fazem brotar luas e estrelinhas, Pegadas das folhas de outono no vento, Florestas de esmeraldas, fogueiras de rubis. Falam dos nomes e sobrenomes das fadas, Apelidos de quando os magos ainda eram guris. São pequenos sinos que dão risadas delicadas, Têm o som da chuva que balança os trevos, São douradas como abelhas carregando mel e preenchem de sonhos os cinco sentidos.