terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tem que ser agora

foto: MaRyLuz


Vamos supor que deva ser agora
enquanto é tempo e o tempo subsista...
Vamos supor que esse seja o tempo
que a hora passe e o dia não resista!

Vamos supor que as luzes da cidade
apaguem na avenida da memória...
Não sei o que será desse amanhã,
vamos supor que deva ser agora...

Suponhamos que o rio altere o curso
de seu destino inevitável de correr,
e a flor não venha mais a sublimar-se
no seu inexorável destino de nascer...

Vamos supor que a espera seja tanta
que o tempo não se lembre de passar.
Que a noite durma tanto nas calçadas
que a alvorada não consiga despertar...

É necessário então que seja agora
como o dia que chega embora tarde,
suponhamos ao menos que este seja
o instante inicial da eternidade! 

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ramo em flor

foto: Amin

Para cá e para lá
sempre se enclina ao vento o ramo em flor,
para cima e para baixo
sempre meu coração vai feito uma criança
entre ambições e renúncias.

Até que as flores se espalham
e o ramo se enche de frutos,
até que o coração farto de infância
alcança a paz
e confessa: de muito agrado e não perdida
foi a inquieta jogada da vida.

Hermann Hesse

domingo, 29 de agosto de 2010

Bom dia, vida!


foto: internet


Bom dia, vida!

A luz da manhã despiu 
seu cobertor de neblina.

Bom dia, vida!

O meu corpo amanheceu 
com uma alegria menina!

Bom dia! Bom dia!
Abro a janela ao convite
de um coral de passarinhos.
Um sol cor de riso
me veste da cabeça aos pés.

Respiro o aroma da terra,
cheiro de orvalho e café.
Bom dia, bom dia!

Dia bom de colher flores
e um ramalhete de amores...
Bom dia, vida!
Bom dia! 

Ilka Brunhilde Laurito 


sábado, 28 de agosto de 2010

A vida é bela!


imagem: internet


La Vita è Bella - Nicola Piovani Soundtrack


Espaço lírico

foto: internet


Não amo o espaço que o meu corpo ocupa 
Num jardim público, num estribo de bonde. 
Mas o espaço que mora em mim, luz interior. 
Um espaço que é meu como uma flor. 

Que me nasceu por dentro, entre paredes. 
Nutrido à custa de secretas sedes. 
Que é a forma? Não o simples adorno. 
Não o corpo habitando o espaço, mas o espaço. 

Dentro do meu perfil, do meu contorno. 
Que haja em mim um chão vivo em cada passo 
(mesmo nas horas mais obscuras) para 

Que eu possa amar a todas as criaturas. 
Morte: retorno ao incriado. Espaço: 
Virgindade do tempo em campo verde. 

Cassiano Ricardo 


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Passado, presente, futuro

 Imagem: A Persistência da Memória (1931) – Salvador Dali



Eu fui. Mas o que fui já me não lembra: 
Mil camadas de pó disfarçam, véus, 
Estes quarenta rostos desiguais. 
Tão marcados de tempo e macaréus. 

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é: 
Rã fugida do charco, que saltou, 
E no salto que deu, quanto podia, 
O ar dum outro mundo a rebentou. 

Falta ver, se é que falta, o que serei: 
Um rosto recomposto antes do fim, 
Um canto de batráquio, mesmo rouco, 
Uma vida que corra assim-assim. 

José Saramago

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Moro na possibilidade

foto: Cores - António Lança


Moro na possibilidade
Casa mais bela que a prosa,
Com muito mais janelas
E bem melhor, pelas portas
De aposentos inacessíveis
Como são, para o olhar, os cedros,
E tendo por forro perene
Os telhados do céu
Visitantes, só os melhores;
Por ocupação, só isto:
Abrir amplamente minhas mãos estreitas
Para agarrar o paraíso.

Emily Dickinson 


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A VOCÊ, COM AMOR


foto: internet

O amor é o murmúrio da terra
quando as estrelas se apagam
e os ventos da aurora vagam
no nascimento do dia...
O ridente abandono,
a rútila alegria
dos lábios, da fonte
e da onda que arremete
do mar...

O amor é a memória
que o tempo não mata,
a canção bem-amada
feliz e absurda...

E a música inaudível...
O silêncio que treme
e parece ocupar
o coração que freme
quando a melodia
do canto de um pássaro
parece ficar...

O amor é Deus em plenitude
a infinita medida
das dádivas que vêm
com o sol e com a chuva
seja na montanha
seja na planura
a chuva que corre
e o tesouro armazenado
no fim do arco-íris.  

Vinícius de Moraes

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Benditas sejam as mãos


foto: El paso del tiempo - José Ramón


Benditas sejam as mãos
Que tecem os fios da vida...
Mãos que oram e pedem;
Mãos que oferecem guarida;
Mãos que aproximam
E mãos que agradecem;
Mãos que a dor aliviam
E mãos que curam feridas;
Mãos que aplaudem
E mãos que acariciam;
Mãos que escrevem sábios dizeres
E mãos que pintam poesia;
Mãos que tocam as cordas
Sensíveis do coração;
Mãos que trabalham e suam,
Mãos que plantam o trigo,
Mãos que fazem o pão...
Benditas sejam, ó mãos, que regem
A grande orquestra da Vida! 

Alencar Medeiros


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Quadrilha

foto: Brincando de Roda - lucia


Roda, ciranda,
Por aí fora,
Chegou a hora
De cirandar!
Na tarde clara
Vinde ligeiras,
Ó companheiras,
Rir e dançar!

Moças que dançam

Nas horas breves
Dos sonhos leves,
Na doce idade
Das ilusões,
Guardam lembrança,
Boa lembrança
Da mocidade
Nos corações.

Roda ,ciranda,
Como essas belas,
Gratas estrelas
Dos nossos céus!
Vamos, em rondas
Precipitadas,
Como levadas
Nas asas dos véus!

Moças que dançam
Nas horas leves
Dos sonhos breves,
Na doce idade
Das ilusões,
Guardam lembrança,
Boa lembrança
Da mocidade
Nos corações.

Manuel Bandeira


domingo, 22 de agosto de 2010

Políticos...


Imagem: internet


Passagem da noite

foto: internet


É noite.
Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra),
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim,
o grito se calou,
fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento, noite nas águas, na pedra.

E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?

É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite,
não é morte,
é noite de sono espesso e sem praia.
Não é dor,
nem paz,
é perfeitamente a noite.

Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar:
as distâncias, as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos se nos confia outra vez.

Obrigado, coisas fiéis!

Saber que ainda há florestas, sinos, palavras;
que a terra prossegue seu giro,
e o tempo não murchou; não nos diluímos!
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado, o essencial é viver!

Carlos Drummond de Andrade 


sábado, 21 de agosto de 2010

Alento

foto: internet



Quando mais nada houver,
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.

E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do Tempo
e a minha voz à doce voz do vento.

Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir.

Escorreu o dia como areia,
ficou a poesia amordaçada.
Mas a lua na madrugada,
pondo-lhe uma caneta
entre os dedos ordenou:
-Toda poesia deverá ser liberada!

E então fez-se verbo
da palavra aprisionada!
A voz da poesia acordou o dia,
e assustou a passarada! 

Caio Fernando Abreu




sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Os amigos

foto: internet



Os amigos amei 
despido de ternura 
fatigada; 
uns iam, outros vinham, 
a nenhum perguntava 
porque partia, 
porque ficava; 
era pouco o que tinha, 
pouco o que dava, 
mas também só queria 
partilhar 
a sede de alegria — 
por mais amarga. 

Eugênio de Andrade


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Acordar, viver

foto: internet


Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

AS COISAS MUDARAM





Things Have Changed
Bob Dylan 


A worried man with a worried mind
No one in front of me and nothing behind
There's a woman on my left and she's drinking champagne
Got white skin, got assassin's eyes
I'm lookin' up into the sapphire-tinted skies
I'm well dressed, waitin' on the last train
Standin' on the gallows with my head in a noose
Any minute now I'm expectin' all hell to break loose
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care but - things have changed.
This place ain't doin' me any good
I'm in the wrong town, I should've been in Hollywood
Just for a second there I thought I saw something move
Gonna take dancin' lessons, do the jitterbug rag
Ain't no shortcuts, gonna dress in drag
Only a fool in here would think he got anythin' to prove
Lotta water under the bridge, lotta other stuff too
Don't get up gentlemen, I'm only passing through
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care but - things have changed.
I've been walkin' forty miles of bad road
If the Bible is right the world will explode
I'm tryin' to get as far away from myself as I can
Some things are too hot to touch
The human mind can only stand so much
You can't win with a losing hand
Feel like falling in love with the first woman I meet
Puttin' her in a wheelbarrow and wheelin' her down the street
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care but - things have changed.
I hurt easy, I just don't show it
You can hurt someone and not even know it
The next sixty seconds could be like an eternity
Gonna get lowdown, gonna fly high
All the truth in the world adds up to one big lie
I'm in love with a woman that don't even appeal to me
Mr. Jinx and miss Lucy they jumped in a lake
I'm not that eager to make a mistake
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care but - things have changed.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ás vezes, em sonho triste


foto: internet


Às vezes, em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longinquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.

Vive-se como se nasce
Sem o querer nem saber.
Nessa ilusão de viver
O tempo morre e renasce
Sem que o sintamos correr.

O sentir e o desejar
São banidos dessa terra.
O amor não é amor
Nesse país por onde erra
Meu longínquo divagar.

Nem se sonha nem se vive:
É uma infância sem fim.
Parece que se revive
Tão suave é viver assim
Nesse impossível jardim.

Fernando Pessoa 


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Aprender a amar


foto: internet


De que vale a vida? Qual o motivo de estarmos aqui? São tantos os problemas, que temos dificuldades em responder a essas perguntas.

Ouve-se com frequência os noticiários das catástrofes naturais, que nos assustam. Outras vezes, são crimes hediondos que chocam.

Dias há em que a saúde nos falta, outros em que o nosso amor se despede e parte para onde os olhos não enxergam. E ainda outros são dias de problemas no seio da família e no trabalho.

Jesus, ao afirmar que neste mundo só teríamos aflições, lembra-nos que a vida é escola a nos dar lições, nem todas permeadas pela alegria e a satisfação.

Porém, qual a finalidade dessas lições? O que a vida espera de cada um de nós, ao nos impor desafios pesados, aflições que nos perturbam e nos exigem tanto da alma? Em outras palavras, o que a vida quer de nós?

Jesus foi indagado a respeito, quando, utilizando o linguajar da época, alguém Lhe perguntou qual o maior mandamento da Lei de Deus.

Para o religioso que O indagara, entender o mandamento da Lei de Deus significava entender o próprio objetivo da vida.

E Jesus foi claro ao responder que o objetivo maior da vida é o de amar. Seja o amor a Deus, o amor ao próximo ou o amor a si mesmo, devemos aprender a amar.

Desta forma, seja o que for que nos ocorra, essas situações serão sempre dádivas da vida a nos oferecer possibilidades para o aprendizado do amor.

Seja o que quer que venha a nos suceder, lembremos que no fundo e no final de tudo, está o aprendizado para o amor.

Por isso, a atitude mais sábia que podemos ter perante a vida é a de amar. Amar incondicionalmente.

Pensando dessa forma, Richard Allens escreveu um poema que diz o seguinte:

Quando ames, dá tudo o que tenhas

E quando tenhas chegado ao teu limite, dá ainda mais

E esquece a tua dor.

Porque frente à morte, só o amor que tenhamos dado e recebido é que contará. Todo o mais: as vitórias, as lutas, os embates ficarão esquecidos em nossas reflexões.

E conclui o poeta:

E se tenhas amado bem, então tudo terá valido a pena.

E o prazer que encontrarás nisso durará até o final. Porém, se não o tenhas feito, a morte sempre te chegará muito rápida, e afrontá-la será por demais terrível.

Assim, compreendemos que a única coisa que importa é o amor. Tudo o mais, nossas conquistas, nossos títulos, o dinheiro que temos ou a posição social que desfrutamos, é secundário.

O que fazemos não é importante. A única coisa que importa é como fazemos. E o que realmente importa é que o façamos com amor.

Por isso, antes que a morte nos convide a retornar ao grande lar, antes que nossa jornada de aprendizado aqui se conclua, aproveitemos o tempo e as lições para que o amor comece a ganhar espaço em nosso mundo íntimo.

Aproveitemos os dias valiosos da existência. A cada nascer do sol aceitemos o convite ao aprendizado do amor que se renova.

Entendendo a vida por esse prisma, tenhamos a certeza que as dores amenizarão e as ansiedades repousarão na certeza de que Deus vela por todos, aguardando que as lições do Seu amor se façam em cada um de nós.


Redação do Momento Espírita, com poema extraído do cap.
El capullo y la mariposa, do livro Conferencias: Morir es de vital importancia, de Elizabeth Klüber Ross, ed. Luciérnaga.



DESENCONTRO

foto: internet

Foi do esperado
que o ter perdido
me fez ter sido
desesperado.

O ter perdido
foi de viver
do haver morrido...

O ter vivido
foi de morrer
da haver sonhado.

Foi do encontrado
que o ter vivido
me fez ter sido
desencontrado.

A. Estebanez

domingo, 15 de agosto de 2010

CENSO 2010

 
(Clique na imagem para ampliá-la)

Uma corrente de positividade!

Faça uma pequena oração para que o nosso querido Felipe dos blogs Felipe Artesanato Mineral, Sem contos de reis e Oceano Virtual fique melhor, se sinta melhor...

foto: internet

Um abraço caloroso, amigo!
Deus te abençoe!

Não saibas: imagina

foto: internet



Deixa falar o mestre , e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.

Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um á-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...

Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia... 


Miguel Torga


sábado, 14 de agosto de 2010

MÚSICA PARA A ALMA



Beethoven - Symphony No. 7
Osaka Philharmonic Orchestra
Eiji Oue 5/5

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CANTAR

foto: internet

Tão longo caminho
E todas as portas
Tão longo o caminho
Sua sombra errante
Sob o sol a pino
A água de exílio
Por estradas brancas
Quanto passo andado
País ocupado
Num quarto fechado.

As portas se fecham
Fecham-se janelas
Os gestos se escondem
Ninguém lhe responde
Solidão vindima
E não querem vê-lo
Encontra silêncio
Que em sombra tornados
Naquela cidade.

Quanto passo andado
Encontrou fechadas
Como vai sozinho
Desenha as paredes
Sob as luas verdes
É brilhante e fria
Ou por negras ruas
Por amor da terra
Onde o medo impera.

Os olhos se fecham
As bocas se calam
Quando ele pergunta
Só insultos colhe
O rosto lhe viram
Seu longo combate
Silêncio daqueles
Em monstros se tornam
Tão poucos os homens. 


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Alma nua

foto: internet


Procuro a poesia certa, 
como uma roupa na medida exata, 
para vestir a minha alma nua.

Byafra

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Memorável

foto: internet


Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre. 

Cecília Meireles


terça-feira, 10 de agosto de 2010

Cheiro de mulher


foto: internet


Eu escolho um homem que não duvide de minha coragem, 
que não me acredite inocente, 
que tenha a coragem de me tratar como uma mulher.

Anais Nin

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Um companheiro de valor

foto: internet

Os livros são os mais silenciosos e constantes amigos;
os mais acessíveis e sábios conselheiros;
e os mais pacientes professores.

Charles W. Elliot
(Boston - Estados Unidos 1834-1926 Northeast Harbor-Estados Unidos)

domingo, 8 de agosto de 2010

O som do silêncio




The Sound Of Silence 
Paul Simon 

Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence. 

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence. 

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence. 

"Fools" said I, "You do not know"
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you."
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence 

And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said, "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence.


As mãos de meu pai

foto: internet


As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis

sobre um fundo de manchas já cor de terra
- como são belas as tuas mãos -
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos
e tenta acendê-los contra o vento?

Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida - que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma... 



**********

Aqui no Brasil, hoje é dia dos pais!
Parabéns a todos vocês que o são!
Deixo esse poema de Quintana em memória do meu grande, saudoso e amigo, pai e mestre. 
Com todo o meu amor e admiração.



sábado, 7 de agosto de 2010

Intimidade

foto: internet

Suponho que me entender não é uma questão de inteligência 
e sim de sentir, de entrar em contato… 
Ou toca, ou não toca! 

 
Clarice Lispector

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Obrigada, vida!


foto: internet



Gracias a La Vida
Violeta Parra 

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros, que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo. 

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día, grillos y canarios,
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado. 

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el sonido y el abecedario;
Con el las palabras que pienso y declaro:
Madre, amigo, hermano, y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando. 

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados;
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio. 

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro al bueno tan lejos del malo,
Cuando miro al fondo de tus ojos claros. 

Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es mi mismo canto,
Y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.


TRADUÇÕES DA MÚSICA:

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Tão fundo o silêncio...


foto: internet


É tão fundo o silêncio entre as estrelas.
Nem o som da palavra se propaga,
nem o canto das aves milagrosas.
Mas, lá, entre as estrelas, onde somos
um astro recriado, é que se ouve
o íntimo rubor que abre as rosas. 

José Saramago


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Convite


foto: internet


Poesia é... brincar com as palavras
como se brinca com bola,
papagaio, pião.
Só que bola, papagaio, pião
de tanto brincar se gastam.
As palavras não:
Quanto mais se brinca com elas,
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?

José Paulo Paes


terça-feira, 3 de agosto de 2010

POR FAVOR, SALVE SAKINEH!

Semana passada, clamores globais massivos impediram a morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani.
foto: internet

Mas Sakineh ainda pode ser enforcada, e hoje, outras quinze pessoas aguardam execuções por apedrejamento, onde as pessoas são enterradas até o pescoço e grandes pedras são atiradas nas suas cabeças.

A campanha internacional dos corajosos filhos de Sakineh mostra que a condenação global funciona. Vamos tornar o apelo desesperado dessa família em um movimento pelo fim do apedrejamento para sempre - assine a petição e avise as pessoas que você conhece.
Uma iraniana em Bruxelas protestando a morte desumana por apedrejamento.
Foto: Thierry Roge/Reuters 
 
 
 
 :(

...

foto: internet
 
Um som quase inaudível, como só pode ser o de umas lágrimas que vão deslizando lentamente até às comissuras da boca e aí se somem para recomeçarem o ciclo eterno das inexplicáveis dores e alegrias humanas. 

José Saramago

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um bem incurável

foto: internet
De um amigo ninguém se livra fácil.
A amizade além de contagiosa
É totalmente incurável.

Vinícius de Moraes


***


Ah... então Mário Quintana estava certo...

Amizade é um amor que nunca morre!